domingo, 17 de março de 2013

Início - As locomotivas "Russas"




Em virtude da necessidade de desvincular a seção sobre trens do Blog dos Alienados, devido à grande quantidade de informação, que acabaria desvirtuando a própria natureza do site, resolvi criar esse novo blog, sobre esse tema em específico. Irei redirecionar minhas postagens sobre trens para cá, em ordem de publicação.

Abro esse novo blog falando, assim como da outra vez, sobre as Russas, as maiores locomotivas elétricas que já rodaram no país. As locomotivas aqui chamadas de Russas (lá nos EUA foram chamadas Little Joe, em homenagem à Stalin) foram construídas pela GE (isso mesmo, aquela das lâmpadas...) para operar nas linhas da URSS, num acordo feito entre os 2 países em 1946. Porém, o início da Guerra Fria interrompeu o negócio, pois o governo americano ficou com medo de entregar as máquinas à URSS, com receio e que tivessem sua tecnologia copiada e utilizada em outros fins.

 


Com um enorme "mico" nas mãos, a GE procurou alguma ferrovia que as quisesse, e até que conseguiu. Doze locomotivas foram para a Milwaukee Road, três para a Chicago, South Shore and South Bend Railroad (South Shore), e as outras cinco foram compradas pela Companhia Paulista.

 


As Russas tem doze eixos (24 rodas!), oito deles motorizados ou seja, são denominadas 2-D+D-2. Pesavam 247,5 toneladas, tinham potencia de cerca de 4655HP e cerca de 27 metros de comprimento. Foram projetadas para operar na Ferrovia Soviética SZD em '3300Volts' DC por catenária.

 


A Companhia Paulista converteu suas Litlle Joe para bitola larga (1,600mm , pois elas originalmente tinham bitola russa de 1,550mm). Elas ficaram conhecidas no Brasil por "Russas". Quando a Paulista se tornou parte da Fepasa em 1971, as Russas foram transferidas para a nova companhia.

 


Continuaram operando até 1999, com a retirada da catenária das linhas em São Paulo pela Ferroban , sucessora da Fepasa. Eram as últimas representantes das Little Joe ainda operando comercialmente. Com a privatização a Fepasa se tornou Ferroban, e imediatamente a catenária foi removida, as elétricas paralisadas. Hoje nenhuma encontra-se preservada no Brasil.

 


Curiosidades: Reza a lenda que elas vieram com o símbolo comunista da foice e do martelo estampadas em seu eixos... Embora isso fosse afirmado pelos antigos funcionários da CP, esse fato nunca foi realmente comprovado Outra curiosidade é que já nos últimos anos da operação de locomotivas elétricas nas linhas da Fepasa, o sistema de alimentação já não apresentava muita confiabilidade, sendo que depois de 1995 ele só era ligada quando surgia algum trem com tração elétrica circulando. Porém, quando esse trem era tracionado pela Russa, nenhum outro trem com tração elétrica podia circular no mesmo circuito, pois a corrente consumida pelas Russas era tão absurda que a mesma provocava queda de amperagem na rede aérea. Abaixo, algumas fotos delas:

 


Agora, como já não existe mais tração elétrica para trens de carga, todas as locomotivas elétricas foram encostadas, e atualmente as Russas encontram-se neste estado:

  Russas, V8's e Vandecas (1ªs locomotivas fabricadas no Brasil) estão assim, aguardando o desmanche:

 

6 comentários:

  1. Caro Matheus Peixoto quanto os símbolos gravados nas rodas da Litlle Joe 6453 (russa) eu confirmo sim eu vi pessoalmente quando manobrei uma loco em 1986 em Campinas SP. Não é lenda não, eu estava lá.
    Caso queira ver meus trabalhos em ferreomodelismo:
    www.jaymefilho.com
    abraços

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  2. Caro Matheus Peixoto quanto os símbolos gravados nas rodas da Litlle Joe 6453 (russa) eu confirmo sim eu vi pessoalmente quando manobrei uma loco em 1986 em Campinas SP. Não é lenda não, eu estava lá.
    Caso queira ver meus trabalhos em ferreomodelismo:
    www.jaymefilho.com
    abraços

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    1. Grato pela informação, Jayme. Sempre fiquei curioso saber a veracidade dessa informação agora confirmada, interessante é que mantiveram o símbolo durante a vida útil das máquinas, realmente curioso. Quanto seus trabalhos, eles são realmente formidáveis, a textura das cores dos ambientes são sublimes e agradáveis, verdadeiras obras de arte.

      Abraços!

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  3. Caro Matheus, passei minha infância viajando para Rio Claro nos trens da Cia Paulista, adorava, ficava maravilhado em ver essas locomotivas, minha vontade quando pequeno, era ser maquinista para pilotar essas máquinas, meu tio trabalhava na Paulista em Itirapina onde havia uma grande malha de desvios e oficina, em Rio Claro também, a ferrovia era viva, adorava ficar na estação só pra ver a V 8 passar, fazia um barulho digno de seu porte, corria, o chefe da estação se preparavam para pegar e lançar o estafe para o maquinista com o trem em movimento era bonito, essa matéria postada por você me fez voltar no tempo. Parabéns pelo seu trabalho e obrigado.
    Infelizmente esse Pais nunca foi sério e nem será jamais. O sistema ferroviário foi totalmente sucatado pró interesse político ás custa de muito roubo, hoje é lamentável ver as fotos finais do seu trabalho.

    Mais uma vez parabéns.

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  4. A privatização das ferrovias brasileiras, agilizou demais o transporte de cargas,mas a falta de preservação da história ferroviária, e a não criação de museus especializados, foi uma tragédia.

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  5. Si, concordo. O mal da privatização não foi ela em si (afinal, a grande Companhia Paulista era uma empresa privada) e sim a forma na qual foi feita, algo "nas coxas", desesperado. Quanto à questão da tração elétrica, ainda havia um agravante: as estradas de ferro não tinham geração própria, era comprada das companhias de eletricidade assim como nós. No início, poucas casas usavam energia, então a oferta era grande e o preço baixo. Depois os núcleos urbanos se tornaram concorrentes da energia fornecida às ferrovias, o preço aumentou, e o modal deixou de ser interessante. Assim, a tração elétrica foi condenada...

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