sexta-feira, 22 de março de 2013

Ferrovias "apertadas": Problema ou arte?




Para aquele praticante do ferromodelismo, ou entusiasta em montar sua primeira maquete de trem em miniatura, sempre paira uma dúvida que, quando não é cruel, pelo menos é inquietante: a falta de espaço. Infelizmente, o padrão HO (escala 1:87), que é o mais comum no país, ainda é grande demais em alguns casos, onde o espaço é realmente escasso. Existem aquelas receitas comuns, como maquetes pequenas, em "L" nos cantos da parede, ou até mesmo dioramas, porém mesmo assim se corre o risco de cair em algo que é considerado um outro grande problema dentro desse problema (sim, redundante), que é o de recorrer à curvas apertadas.



"Linhas extremamente sinuosas, com rampas fortes e curvas minúsculas tiram o aspecto realista da maquete", é a frase clichê que percorre o mundo específico do modelismo. Mas será mesmo que isso é verdade? Bem, se tivermos como tema da maquete alguma ferrovia brasileira, não é tão verdade assim. E essa postagem tratará de dar um pouco de inspiração para os impossibilitados de fugir dos "traçados liliputianos".



Aqui no Brasil, por falta de infra-estrutura na construção das linhas férreas originais, empregaram-se vários artifícios que, se não eram recomendáveis e futuramente trariam problemas com o aumento de cargas ou concorrência rodoviária, pelo menos eram práticos no momento. E para driblar os terrenos muito acidentados interior adentro, recorrendo o mínimo possível às obras-de-arte (pontes, aterros e túneis), era mais fácil simplesmente seguir as curvas naturais das montanhas. Até por questão de economia, grande parte da bitola (distância entre os trilhos) adotada no país é de 1 metro, contra o 1,43m da bitola padrão internacional, o que permitia curvas mais fechadas e menores túneis, além de menos material na construção.


 O resultado disso foi o estrangulamento da capacidade de carga a ser transportada, além da velocidade comprometida. Mas bem, isso não é problema algum numa maquete, muito pelo contrário, uma vez que é tudo fictício. E se nossos engenheiros ferroviários reais de tempos passados cometeram um equívoco cujos resultados perduram até hoje, por outro lado suas obras nos dão inspiração. Uma pequena maquete com linha singela, onde se trafega uma pequena composição puxada por locomotivas leves em muitas vezes apresenta um charme maior do que pátios lotados de linhas, numa confusão de trens que,de tão numerosos, perdem a graça. Dedicarei a partir de então algumas postagens sobre ferrovias com traçados bem apertados, que darão ao modelista novo ânimo para a construção de pequenas maquetes.

3 comentários:

  1. Muito bom o blog, uma sugestão: coloque uma legenda nas fotos, que indique local, ferrovia, etc.

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  2. Olá, sr. Bruno Sanches! A partir desta postagem passei a fazer isto, embora não tenha informações sobre todas as fotos, faço o máximo para contextualizá-las. No caso desta postagem, na ordem é:

    1) Maquete de exposição de ferromodelismo na Alemanha;
    2) Composição da NOB indo para Bauru;
    3) Sistema de cremalheira Fell da E. F. do Cantagalo, na subida para Nova Friburgo - RJ;
    4) Trecho da E. F. Curitiba - Paranaguá.

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