segunda-feira, 29 de abril de 2013

Auto-trem, uma boa ideia esquecida

Desembarque de caminhões na Lapa - SP. 

É comum lermos ou ouvirmos atualmente nos noticiários sobre os inúmeros problemas de logística de transporte no Brasil. O fato é que um território de tamanha extensão como é esse país ainda é carente de uma integração eficiente. O sistema ferroviário do Brasil já foi relativamente extenso, porém praticamente todo voltado apenas para escoamento de produtos para o mercado exterior. Poucas exceções fugiam dessa regra, como o caso da Estrada de Ferro Central do Brasil, que fora projetada prevendo alguma pretensa integração nacional, porém sempre de forma deficitária e limitada basicamente aos grandes centros nacionais (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais). A partir da segunda metade do século passado, houvera uma mobilização para aumentar essa integração territorial, mas a ênfase foi através do modal rodoviário. O resultado dessa escolha é estampado quase todos os dias nos veículos de comunicação: acidentes, preços caros dos produtos, engarrafamentos e uma série de outros transtornos.

Economia e segurança eram os resultados da união dos modais.

Numa análise técnica é fácil de se observar que caminhões não são veículos para longas distâncias. A relação entre custo de rodagem e quantidade de carga transportada pesa negativamente, pois o desgaste é enorme e a carga é pouca. vence o modal ferroviário,  porém esse não tem a flexibilidade dos caminhões dentro de um ambiente urbano. Ora, um complementa o outro, e isso é visível em países onde o modal ferroviário ainda é largamente utilizado, e é comum de se ver trens transportando caminhões em grandes percursos.

Moderno trem transportando caminhões na Áustria. Prática comum em toda Europa.

Curiosamente, houvera no Brasil uma experiência com esse tipo de relação entre os dois modais. isso se deu primeiramente nos anos 60, e ficara conhecido como "auto-trem". A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, já sob controle estatal, a Central do Brasil e a Noroeste do Brasil foram três ferrovias que efetuaram esse tipo de transporte que não me fogem da memória, mas provavelmente isso ocorreu em outras. As estradas na época eram precárias, e algumas empresas achavam mais seguro transportar seus caminhões por trem para alcançar dois pontos distantes. Isso evitava o excesso de desgaste de peças dos caminhões, e ainda aliviava o tráfego nas estradas. A composição contava com vagões prancha modificados para poderem trasportar seguramente os veículos rodoviários, e contava também com um carro de passageiros na ponta, para acomodar confortavelmente os motoristas.

Auto-trem da Central do Brasil, tracionado por uma Escandalosa, no pátio de Marítima, RJ.

Entretanto, bons projetos parecem não vingar no Brasil, e ainda nos anos 60 esse tipo de transporte foi deixado de lado pela CPEF e NOB. Na Central do Brasil ainda teve um ressurgimento em seus últimos suspiros, já na chegada dos anos 90, mas sua privatização pôs fim de vez a esse tipo de transporte. Hoje em dia as empresas ferroviárias alegam não haver consenso entre as transportadoras rodoviárias, e com poucos caminhões para transportar, o trabalho não é rentável. Talvez com esse novo surto ferroviário, agora com um âmbito de maior integração entre os cantos do país, algum dia possamos ver novamente essa medida inteligente de volta. Sobra para nós as imagens e ideias para reproduzirmos em miniatura nas nossas maquetes.

Caminhões sendo transportados pela Companhia Paulista.

Transporte de caminhões da Central do Brasil.









4 comentários:

  1. Nos paises do primeiro mundo,o ressurgimento com forca das ferrovias foi e e a intermodalidade,que nao acontece aqui,pois a privatizacao da rede ferroviaria nacional so ocorreu por vontade das maiores usuarias do sistema como a Usiminas,MBR,Vale,que so mantem os trechos que tem interesse,tendo abandonado os demais.A essas empresas nao interessa o transporte de carga de terceiros,pois demandaria maior investimento de retorno a longo prazo,como alteracao de gabarito para uso de vagoes double stack,muito utilizados entre Mexico,USA e Canada.Tambem outro servico intermodal muito utilizado la e o RoadRailer,carretas adaptadas para rodovia e ferrovia,So vi esse tipo de trem na Argentina,na parte operada pela ALL,acho que e porque essas linhas sao em bitola padrao mundial,1,435mm.Ate hoje nunca na historia deesse pais houve qualquer iniciativa com vistas a unificacao das bitolas.So nos resta lembrar com saudade do sucesso que foi por algum tempo o Auto Trem aqui muito bem lembrado.Parabenizo o autor pela compilacao desse historico.

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  2. Obrigado pelo comentário, Jair. É verdade que hoje em dia as companhias sobrevivem aqui no Brasil por conta do transporte de baixo valor agregado, que são bens sempre necessários, portanto representam uma grande estabilidade de lucro. Os RoadRailer são usados pela ALL aqui no Brasil também, porém em pouquíssima quantidade. A MRS também usa esporadicamente, mas falta maior empenho das mesmas. Realmente o fator da falta de integração da malha ferroviária nacional é um ponto forte para tão poucos investimentos.

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  3. Eu não lembro que empresa ferroviária mas eu me recordo que em campinas em 98 ou 99 não me recordo muito bem o ano mas eu vi sim carretas graneleira com truques acoplados em composição no ramal de boa vista nova já passando pelo túnel vindo do ramal de vira copos na bitola métrica. mas foi a última vês que vi isso. Achei que não daria certo no Brasil a lei criminal é fraca. A composição para em cruzamentos vândalos rouba rodas das carretas lonas o que der. Vândalos não criminosos.abrem vagões de açúcar de ração a ferreonorte quando circularão pelas primeiras vezes neste trecho com seus lindos vagões graneleiro de alumínio perdiam as tanpas que eram furtadas e sucateadas em ferrovelhos. nada ocorre como planejam não 100%

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  4. Presado Mestre, tive a grata oportunidade de ver artigo sobre o Auto-Trem, lembro claramente pois os via passar em Marechal Hermes(subúrbio do RJ) e achava um serviço de primeira. mas como o que bom dura pouco, ainda assim se voltasse, faria sucesso.

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